Já dissemos isso antes: toda empresa tem a natureza integrada à sua cadeia de valor. Das matérias-primas aos processos de produção e à distribuição dos produtos, ecossistemas saudáveis tornam o negócio possível. Agricultura, energia, construção, tecnologia, turismo: em todos os setores, a natureza sustenta as operações e a viabilidade de longo prazo.
Essas dependências também trazem exposição. Ao depender da natureza, as empresas herdam riscos relacionados a ela: eventos e mudanças nos ecossistemas que podem interromper cadeias de valor, danificar operações e desgastar a confiança de clientes, comunidades e acionistas.
A diferença entre resiliência e ruptura costuma estar na forma como a empresa reconhece e gerencia esses riscos. Tratá-los significa não só proteger ativos e cumprir a regulação, mas também fortalecer os modelos de negócio para o futuro.
O que são riscos relacionados à natureza e como afetam os negócios
Os riscos relacionados à natureza são ameaças que surgem da mudança ambiental: secas, enchentes, incêndios florestais, deslizamentos de terra, perda de polinizadores, degradação de ecossistemas. Alguns acontecem de repente, outros de forma gradual. Ambos podem desestabilizar as condições de que as empresas dependem: a disponibilidade de água, a saúde do solo e a estabilidade do clima local.
Os impactos aparecem de três formas principais:
1. Econômico e operacional:
Os riscos relacionados à natureza atrapalham a logística, elevam os custos de produção e interrompem cadeias de suprimento.
- No Chile, secas prolongadas reduzem a produtividade das lavouras e elevam os custos da agricultura.
- Em infraestrutura e energia, incêndios florestais danificam redes elétricas e instalações, causando quedas de energia custosas.
2. Legal e regulatório:
Marcos globais como TNFD, SASB e GRI exigem que as empresas identifiquem e divulguem suas dependências e seus riscos relacionados à natureza. O descumprimento pode significar multas, exclusão de mercados ou contratos perdidos com compradores que hoje exigem alinhamento a esses padrões.
3. Reputacional:
As partes interessadas esperam que as empresas ajam com responsabilidade. Deixar de antecipar e tratar os riscos relacionados à natureza pode desgastar a confiança na marca, gerar conflitos com as comunidades e bloquear o acesso a capital. Uma mineradora que ignora a escassez de água, por exemplo, pode enfrentar protestos, disputas judiciais e a perda de sua licença para operar.
Nos mercados de hoje, reputação e resiliência são inseparáveis da sustentabilidade.
Primeiros passos para gerenciar os riscos relacionados à natureza
Gerenciar esses riscos começa por entender a interface de uma empresa com a natureza: a combinação de suas dependências (água, solo, polinizadores, regulação do clima) e de seus impactos (poluição, desmatamento, degradação). Sem essa linha de base, agir com eficácia é impossível.
Estes são cinco pontos de partida:
1. Identifique as dependências na cadeia de valor
Mapeie onde seu negócio se apoia nos serviços da natureza. Uma empresa de alimentos que depende de culturas polinizadas, por exemplo, pode investir na restauração de ecossistemas ou em projetos para ampliar as populações de abelhas.
2. Quantifique os impactos nos ecossistemas
Meça como suas operações afetam a natureza. Uma empresa têxtil que usa algodão precisa avaliar os impactos no solo, na água e na biodiversidade, e depois agir com irrigação eficiente ou práticas regenerativas.
3. Mapeie as áreas expostas a riscos
Identifique com precisão os locais de operação ou as regiões de fornecedores mais vulneráveis a secas, enchentes ou incêndios. Um incorporador imobiliário, por exemplo, pode usar essa análise para evitar locais de alto risco e projetar empreendimentos mais resilientes.
4. Priorize os riscos pelo impacto
Nem todos os riscos pesam igual. Uma empresa de telecomunicações com antenas em áreas rurais pode enfrentar tempestades, incêndios e deslizamentos de terra; mas, se o incêndio for a maior ameaça, ela pode concentrar recursos em medidas de proteção e em planos de redundância.
5. Estabeleça indicadores ambientais
Acompanhe as mudanças continuamente. Uma empresa florestal poderia monitorar a cobertura vegetal, as espécies invasoras, o estresse hídrico e o risco de incêndio para proteger suas plantações e planejar sua estabilidade de longo prazo.
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O Atlas combina imagens de satélite, conjuntos de dados globais e modelos com IA para entregar indicadores prontos para uso sobre carbono, vegetação, biodiversidade, água, clima e risco. Com o Atlas, as empresas podem:
- Avaliar dependências e impactos.
- Mapear a exposição a riscos naturais.
- Reportar de acordo com os padrões globais.
- Fortalecer a resiliência e a reputação.
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